O Rio Croa, no estado do Acre. Foto por Carlos Mazoca
O Projeto de Perfuração Transamazônica – TADP (Trans-Amazon Drilling Project) busca responder questões sobre a origem do ambiente e da biodiversidade amazônica que só podem ser esclarecidas por meio de perfurações que alcancem os registros da história geológica profunda da Amazônia.
O Brasil abriga uma grande parcela da diversidade de biomas, bacias hidrográficas, espécies animais e condições climatológicas distribuídas por todo o território nacional. A floresta amazônica é parte crucial para a distribuição da umidade atmosférica na América do Sul, e sua evolução ao longo dos anos tem sido objeto de diversos estudos. Isso motivou a criação do TADP, um amplo programa de pesquisa organizado para estudar a origem e a evolução da Amazônia, conduzido pelo Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP).
O Projeto de Perfuração Transamazônica (TADP) é uma iniciativa internacional de pesquisa colaborativa que busca investigar as histórias geológica, climática e biológica do bioma amazônico, além do papel da Província Magmática do Atlântico Central (CAMP) na extinção em massa de organismos no final do período Triássico.
O TADP conta com o apoio do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP) e do Programa Internacional de Descoberta Oceânica (IODP). As questões de pesquisa que motivam o TADP só podem ser respondidas por meio de perfurações realizadas em locais estratégicos, tanto em terra firme quanto em áreas oceânicas, ao longo de um transecto que cruza toda a Amazônia brasileira, desde a Bacia do Acre até o Atlântico equatorial.
A questão fundamental sobre a origem e evolução da Amazônia abordada pelo TADP é:
Como a história geológica e climática do Cenozóico, incluindo o soerguimento dos Andes e o desenvolvimento do sistema fluvial amazônico, influenciou as origens da floresta amazônica e sua biodiversidade incomparável?
Para responder essa questão os objetivos centrais deste projeto são:
● Utilizar dados palinológicos para documentar a formação da composição e diversidade da flora amazônica em toda a bacia ao longo de toda a história das florestas megatermais dominadas por angiospermas;
● Integrar a história temporal e espacial da evolução das plantas amazônicas com dois grupos de vertebrados bem documentados por dados filogenéticos e biogeográficos: aves e primatas;
● Reconstruir as mudanças correlatas e possivelmente causais no ambiente físico, incluindo clima, tectonismo, alterações na paisagem e influências paleoceanográficas (perfuração IODP); e
● Caracterizar a vida microbiana do subsolo e estimar a produção e o consumo subterrâneo de metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂).
Este é um projeto estritamente acadêmico, dedicado ao avanço das ciências, sem qualquer finalidade financeira ou econômica.
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